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Clipping – UOL - Casamento entre pessoas de religiões distintas volta a ser debatido em Israel
Tel Aviv, 21 nov (EFE).- Um em cada dez casais de Israel é composto por pessoas de diferentes religiões, e a parte não-judia, em 60% dos casos, é a mulher, que costuma se queixar de estar em desvantagem diante de instituições e na própria sociedade.

No país só podem se casar de maneira legal os casais heterossexuais, sendo ambos judeus. Apenas um único órgão tem poder para promover o casamento e também sacramentar o divórcio: o rabinato.

"Por um lado, temos um país super moderno, mas, por outro, as atividades mais fundamentais da vida, como se casar, se separar e morrer, estão controladas por religiosos, como na Idade Média", afirmou Ester Ben Tsion, casada com um austríaco católico, que teve que se casar no Chipre.

Muitos israelenses se dirigem ao país vizinho, pois não querem ou não podem passar pelo crivo do rabinato.

"Para a alegria do meu país, o judaísmo dos filhos se transmite pelas mães, portanto, meus filhos são 'kosher'", disse Ben Tsion, com sorriso irônico, se referindo a nomenclatura para a comida permitida pela lei judaica.

Outra entrevistada pela Agência Efe, que preferiu não se identificar, é uma mexicana católica, que se casou com um israelense. Ela revelou ter se sentido pressionada para se converter ao judaísmo.

"Me converti no México, depois que entendi que, para meu agora ex e seus pais, era importantíssimo que eu fosse judia", contou.

O casal viveu em Israel durante seis anos, antes que a mulher deixasse o catolicismo.

"Claro que sentia que me tratavam diferente, por não ser judia. Principalmente, em lugares como o Ministério do Interior, onde tínhamos que ir de tempos em tempos, para demonstrar que éramos um casal", afirmou.

A mexicana ainda disse que, depois da conversão, o comportamento das pessoas com relação a ela, mudou.

Segundos os últimos números sobre casamentos mistos, que constam em relatório do parlamento de Israel, em 2008, há 92.612 casais mistos no país, sendo que a mulher é a não-judia em quase 60% dos casos.

Na grande maioria das vezes, as mulheres são oriundas de antigas repúblicas da União Soviética.

O Ministério do Interior fica encarregado de classificar ou validar o judaísmo, dos estrangeiros que se declaram como sendo da religião, que devem se ajustar aos rígidos critérios da Halacá, a lei judaica.

Em outubro deste ano, o assunto voltou à tona em Israel pro causa do casamento do ator israelense Tsahi Halevi com a jornalista árabe-israelense muçulmana Lucy Aharish.

O ministro do Interior do país, Arie Deri, afirmou no dia seguinte que a cerimônia foi realizada em um lugar não revelado pelo casal, mas que a união "não era correta".

O titular da pasta disse ainda que uma mãe muçulmana e um pai judeu terão filhos que enfrentarão "sérios problemas" em Israel, convidando a mulher se converter ao judaísmo.

O parlamentar Oren Hazan, do Likud, também se manifestou no Twitter contra o casamento.

"Não acuso Lucy Aharish por seduzir uma alma judia, para fazer dano a nação e dificultar que mais descendentes de judeus continuem a linha judia. Pelo contrário, é bem-vinda a se converter", escreveu.

Os comentários de Deri e Hazan foram muito criticados por outros parlamentares, como Yoel Hason, da plataforma Campo Sionista, que tachou as declarações do integrante do Likud de "obscuras, racistas e vergonhosas".

Já Shelly Yachimovich, também do Campo Sionista, considerou reprovável o desejo pelo que chamou de "sangue puro".

O diretor de comunicações e assuntos públicos da Agência Judia, Yigal Palmor, afirmou à Efe que o assunto volta à tona ocasionalmente, quando a imprensa voltada para o sensacionalismo publica esse tipo de notícias.

"Se pode conservar a identidade cultural e religiosa de outras maneiras, não só através do casamento", garantiu.

Fonte: UOL


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