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Clipping – Diário do Nordeste - Transgênero, não-binário, travesti: entenda a diversidade da bandeira LGBTI+
Homem e mulher. Palavras limitadoras que não correspondem à atual expressão da pluralidade sexual vista nas ruas. Mas, afinal, o que é se sentir diferente dos rótulos criados há mais de mil anos? Existe quem se defina como cis ou transgênero, não-binário, travesti e até agênero. E o que cada palavra dessa representa?

Kaio Lemos, de 39 anos, nasceu em um corpo que não era dele. Ainda criança, a biologia feminina de nascença o incomodava e não representava sua verdadeira identidade. "Eu nasci assim, vivi assim, por mais que eu tenha nascido num corpo biologicamente feminino. Eu vivi uma infância com muita leitura social feminina e numa adolescência também. Agora, dentro de mim, sempre fui quem eu sou", explica o antropólogo e militante da causa trans.

A confusão começou inicialmente na própria cabeça, já que o conceito de transexual ainda não havia chegado para ele na época. Tudo o que sabia é que as roupas que usava e o nome de nascença o incomodavam por não representar quem ele era. "Meu nome de registro me remetia a um universo feminino que não me pertencia, por isso eu acabava sempre pedindo às pessoas para me chamarem pelo apelido", relata.

Identidade e expressão
O antropólogo é um homem trans e essa é sua identidade de gênero, que é a "forma como cada pessoa sente que ela é em relação ao gênero", segundo o Manual de Comunicação LGBTI+ de 2018.

Já a expressão de gênero é como o indivíduo se apresenta para a sociedade, seja por meio de suas roupas ou detalhes físicos. Que, por sua vez, é diferente da orientação sexual, referente à atração sexual, afetiva e emocional por outra pessoa.

Há quatro anos, Kaio começou o processo de externalizar para a sociedade sua identidade, e o primeiro passo veio com a mudança do seu registro civil - e poder usá-lo, inclusive, na universidade. Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou a troca de nome sem precisar de ordem judicial ou ter feito cirurgia.

O segundo passo da sua trajetória foi a realização da mastectomia masculinizadora. Kaio, inclusive, foi o primeiro a conseguir realizar o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a cirurgia, conquistou a liberdade de poder andar de bicicleta sem camisa ou tomar banho de mar, por exemplo.

A modelo Sol Duarte, de 22 anos, passou por situação semelhante. Desde a infância, já se percebia "diferente". Nascida num corpo biologicamente masculino, ela não se identificava com essa identidade de gênero. Foi somente aos 18 anos, depois de muita pesquisa, que se descobriu como não-binária.

"É a pessoa mais livre possível. Um dia você pode tá mais masculino, noutro mais feminino. O não-binário, biologicamente falando, não se identifica nem como homem nem como mulher", explica. Dançarina, atriz e modelo, Sol conta ainda que, durante o processo de descoberta, ela passou pela arte drag, com a qual não se identificava. "Fazia porque estava na moda e as pessoas gostavam", revela.

Questão social
Mas o que explica o fato de essas pessoas não se encaixarem nos padrões? A psicóloga Raquel Rodrigues foca seus estudos em sexologia e atende pacientes com essas demandas. Para ela, "a diversidade de gênero envolve questões de âmbito social, cultural, filosófico, econômico e político. A psicologia é uma das ciências que buscam explicar, não no sentido de justificar ou trazer causas, mas de revelar, avaliar, interpretar questões que dizem respeito a essas mudanças".

Essa questão foi tratada - e ainda é, por algumas pessoas - como um transtorno ou desvio de personalidade. Por isso, ainda se fala muito em buscar uma "cura". E é possível curar o que se sente? "Uma das principais questões que moldam e nos fazem seres humanos, ou seja, nos distinguem dos animais, é que podemos escolher, nossos comportamentos são movidos por afeto e não por instintos", explica a psicóloga.

Tanto para a especialista quanto para Kaio e Sol, a falta de informação e educação sexual nas escolas é o principal causador de tanta confusão acerca desses conceitos. "Falo da educação como um todo, da prática diária, da construção do ser, do diálogo. Da educação de entender o ser e a necessidade daquele ser. Quem vai construir essa consciência é a educação".

Na rede
Pensando nessa pluralidade e em cada vez mais assegurar o direito à identidade, algumas redes sociais têm realizado mudanças na hora do cadastro. Em 2014, o Facebook ampliou seu catálogo de opções e passou a disponibilizar 52 opções de identidade sexual. O Tinder, aplicativo de relacionamento, tem na sua lista 37 opções. Com essa disponibilidade, foram marcados 250 mil encontros a mais em seis meses.

Assegurar e garantir os direitos da população LGBTI+ a partir do reconhecimento da livre expressão de gênero precisa ser dever não só nas redes, mas também no dia a dia.

Fonte: Diário do Nordeste

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