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Clipping – Huffpost Brasil - Cristina Lopes: A juíza de paz que celebra casamentos homoafetivos e acredita no amor
Ela tirou o clássico “até que a morte nos separe” e prefere usar "até que você sinta que não é mais feliz" no lugar: "O casamento precisa trazer felicidade e não sofrimento", afirma.

Esqueça a formalidade absoluta, o distanciamento ou mesmo o clássico "até que a morte nos separe". A juíza Cristina Lopes, 27 anos, celebra casamentos de uma forma mais leve, moderna e intimista, sem deixar os protocolos de lado, com direto à faixa oficial verde e amarela. O carisma da jovem que gosta de fazer seus próprios discursos — uma de suas inspirações são os votos de Alex e Izzy da série Greys Anatomy, inclusive — começou a criar uma demanda para suas cerimônias na capital federal e, em especial, de casais homoafetivos. Além do ofício no cartório civil na cidade satélite de Sobradinho, ela ainda é modelo, faz mestrado e trabalho voluntariamente como professora.

Cristina nunca imaginou que seu destino seria se tornar juíza de paz e realizar mais de cinco casamentos por semana. Ela fez a faculdade de Direito e imaginava que seguiria a carreira de advogada, da forma mais tradicional possível. Passou na prova da OAB (Organização dos Advogados do Brasil) e ainda na universidade atuava como voluntária na defensoria pública justamente na área de família, só que com separações e não com uniões. "Foi uma experiência ótima de poder aconselhar e ajudar as pessoas a passar por seus problemas. Também fazia aconselhamento para mulheres periféricas que sofriam violência doméstica", relembra.

Queria fugir dos padrões de cerimônias tradicionais em que os convidados torcem pra acabar logo.

Quando se formou, ela passou no processo seletivo e se escolheu ser juíza de paz. Cris faz cerimônias no cartório de Sobradinho e celebrações externas, e atua como cerimonialista, quando os noivos não querem se casar no civil. "Desde o início do meu trabalho eu sempre me informei e pesquisei muito sobre casamentos e relacionamentos pra ver o que os casais buscavam em uma cerimonialista. Os discursos são bem elaborados e faço com muito carinho, com base na histórias dos casais", conta. Para isso, ela conversa com os noivos para conhecer um pouco mais sobre eles antes de realizar as celebrações que acontecem fora do cartório.

Num casamento realizado por uma juíza de paz alguns pré-requisitos precisam ser cumpridos: a pergunta "é de livre e espontânea vontade que você aceita fulano ou fulana como seu esposo ou esposa?", o "sim" e a assinatura por parte dos noivos e as testemunhas. O restante, cada cerimonialista pode fazer à sua maneira, por isso, pra Cris, é muito importante ter um toque pessoal e especial. "O mais importante é ter respeito pelo casal e entender que eles merecem o melhor de mim. É um momento tão importante, tão especial. Então falo sobre amor, carinho, convivência, companheirismo. Até que os afazeres da casa tem que ser divididos, que uma vida com alguém que a gente ama precisa ser construída pelos dois".

Levo comigo a história de todos os casais que fiz o casamento e sempre procuro melhorar, progredir.

Ela se lembra da primeira vez que realizou um casamento. Na verdade, foram cinco de uma vez, assim, sem pestanejar. Cris tinha apenas 24 anos e acabado de ocupar o cargo de juíza. "Fiquei bem nervosa, mas tentei colocar carinho e me esforcei pra fazer bem feito", diz. Cris é uma das duas únicas juízas negras no Distrito Federal e, em um ambiente dominado pelo universo masculino e por saberes hegemônicos, ela tenta trazer leveza e igualdade. É muito procurada por casais homoafetivos. "Os direitos estão garantidos e todos merecem ser felizes", comenta.

Para melhorar seu trabalho, ela busca na literatura e em filmes e séries, histórias de amor, frases que podem ajudar. "Sempre anoto num caderno quando tenho uma ideia", conta. E durante a cerimônia ela nem sempre consegue segurar as próprias lágrimas. "As partes que causam mais emoção são sempre sobre a vida dos noivos. Sempre quando vejo alguém chorando também tenho vontade de chorar. É muito emocionante pra todo mundo". A juíza que realiza tantos casamentos também vive uma história de amor com uma união estável, com planos de casar no futuro.

Para fugir do tradicional, Cris tirou o clássico "até que a morte nos separe" dos seus discursos. "É até que você sinta que não é mais feliz. Ninguém precisa aguentar algo que não a faz bem. O casamento precisa trazer felicidade e não sofrimento. Não existe garantia da vida perfeita, pra que as coisas continuem dando certo que que dar atenção um pro outro. Tem que se preocupar, ter apoio, que os casais possam ter essa parceria", aponta.

Eu acho que muita gente ainda acredita, sim, no amor.

Quando vai fazer seus atendimentos, Cris pergunta sobre a história do casal, como se conheceram, para poder traçar como vai ser a cerimônia. "Eu peço que eles abram o coração e compartilhem como gostariam que fosse o casamento. Muitos me mandam textos lindos que me ajudam a compor. Eu sento e levo um tempo para construir de forma exclusiva pra cada um". No dia da cerimônia, o discurso e a troca das alianças demoram uns 20 minutos. No cartório, que é mais rápido e que acontecem vários casamentos diariamente, a juíza tenta fazer com que seja uma celebração intimista também. "Tento fazer um discurso compatível com que eu faço fora, considerando o tempo disponível".

Além do trabalho como juíza, Cris tem uma vida agitada. Ela é mãe de um adolescente de 12 anos e faz mestrado em direito das relações internacionais em uma universidade no Uruguai. E quando sobra tempo, trabalha como modelo, inclusive com vestidos de noiva em propagandas. "Sempre trabalhei muito, desde dos 17 anos. Já fui vendedora e recepcionista também". Ela também é professora de direitos humanos no projeto Educafro que é voltado para jovens negros e pobres que querem se preparar para o vestibular. No futuro, ela pretende seguir ainda mais pro lado da docência. "A gente que teve oportunidade tem que fazer nossa parte para melhorar a vida das pessoas e dar amor e afeto ao próximo, abrir novas portas".

Fonte: Huffpost Brasil

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