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Clipping – Opinião e Notícia - China exorta cidadãos a terem mais filhos
Pedido, antes impensável, vem em meio à crescente queda na taxa de natalidade, que, somada ao envelhecimento da população, ameaça a economia do país

As décadas de política de filho único começam a surtir um efeito inesperado e indesejado na China. Prova disso é um artigo publicado na última segunda-feira, 6, na versão internacional do jornal People’s Daily, um veículo de comunicação estatal que, por vezes, age como porta-voz do governo chinês.

Intitulado “Dar a luz é um assunto de família e também uma questão nacional”, o artigo encoraja a população jovem do país a ter mais filhos, alertando para os efeitos da queda na taxa de natalidade na economia. O artigo também pede pela criação de mecanismos que estimulem a população jovem a ter filhos.

“O impacto das baixas taxas de natalidade na economia e na sociedade começou a aparecer. O dividendo demográfico da China foi basicamente esgotado, o envelhecimento se intensificou, os custos trabalhistas aumentaram e as pressões da seguridade social são altas. Para resolver esses problemas, não devemos confiar apenas na consciência familiar, mas também desenvolver mecanismos institucionais mais completos. O nascimento de um bebê não é apenas um assunto da própria família, mas também uma questão nacional”, diz o texto, que se tornou um dos assuntos mais comentados no Weibo – o equivalente do Twitter na China.

O pedido parece inacreditável, uma vez que, há poucas décadas, a China implementou a política do filho único para combater os impactos da superpopulação nos recursos e promover o desenvolvimento econômico e social do país.

No entanto, tal política resultou em uma nova ameaça à economia chinesa. Desde que entrou em vigor, no final da década de 1970, ela cumpriu seu papel em reduzir a taxa de natalidade. O Partido Comunista Chinês (PCC) afirma que impediu 400 milhões de nascimentos com a sua política do filho único.

No entanto, como consequência, ela contribuiu para o envelhecimento da população observado nos dias atuais. A taxa de natalidade da China de 1,5 a 1,6 de filhos por mulher fica abaixo da taxa de reposição (de cerca de 2,1), e as taxas de natalidade nas maiores cidades da China, muito abaixo de 1,0, estão entre as menores do mundo.

Somado a isso está a acelerada urbanização da população chinesa. Segundo o governo chinês, hoje 58,52% da população vive nas cidades, em comparação com 26% em 1990 e 36% no ano 2000. Com o avanço econômico, a maioria dos jovens chineses abandonou as áreas rurais e migrou para as cidades em busca de empregos de nível superior. Assim como em muitos países ocidentais, o foco na vida profissional, somado ao alto custo da vida urbana, fez com que esses jovens perdessem o interesse em ter filhos.

Diante disso, em 2013, em uma plenária do Comitê Central do Partido Comunista, o começou a afrouxar a lei do filho único, num esforço que se intensificou nos anos que se seguiram. Segundo um artigo da rede CNN sobre o tema, o mais recente foi um cartaz do governo em comemoração ao Ano do Porco, que se inicia em 2019.

No cartaz, aparece uma família suína, composta de pai, mãe e três filhotes. Segundo a CNN, o cartaz é um indício de que, em breve, mais restrições remanescentes da política do filho único podem ser banidas. A suspeita se dá porque, em 2016, em celebração ao ano do macaco, um cartaz similar, porém, com dois filhotes macacos foi divulgado. Ele foi considerado um aceno a mais afrouxamento da política do filho único.

Além disso, em janeiro de 2012, um ano antes do PCC anunciar o afrouxamento da lei, o governo chinês divulgou um cartaz retratando uma família com dois filhos. Na época, o assunto despertou curiosidade na população, e um artigo publicado no New York Times, ressaltou que a mudança na propaganda do governo poderia indicar algo mais profundo – o que de fato ocorreu no ano seguinte.

A questão da mulher
Muitos temem que a pressão por mais filhos na China afete negativamente as mulheres em especial. Um relatório publicado em abril deste ano, pela Human Rights Watch, apontou que as empresas chinesas têm preferência por contratar funcionários do sexo masculino.

Além disso, muitas empresas descartam qualquer possibilidade de contratar mulheres que ainda não tiveram filhos, para evitar lidar com uma eventual licença-maternidade. Segundo o relatório, a possibilidade de duas licenças-maternidade deixa a contratação ainda mais distante.

Fonte: Opinião e Notícia


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